{"id":69,"date":"2018-12-08T18:52:29","date_gmt":"2018-12-08T20:52:29","guid":{"rendered":"https:\/\/aprosojabrasil.com.br\/ba\/?page_id=69"},"modified":"2018-12-08T19:24:17","modified_gmt":"2018-12-08T21:24:17","slug":"a-soja","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/aprosojabrasil.com.br\/ba\/a-soja\/","title":{"rendered":"A Soja"},"content":{"rendered":"<h3><strong><u>A origem do gr\u00e3o<\/u><\/strong><\/h3>\n<p>A primeira refer\u00eancia \u00e0 soja como alimento data de mais de 5.000 anos. O gr\u00e3o foi citado e descrito pelo imperador chin\u00eas Shen-nung, considerado o \u201cpai\u201d da agricultura chinesa, que deu in\u00edcio ao cultivo de gr\u00e3os como alternativa ao abate de animais.<\/p>\n<p>Um dos principais indicativos que atestam a import\u00e2ncia cultural e nutricional da soja para os chineses \u00e9 o fato de que j\u00e1 nos anos 200 antes de Cristo (a.C.) o gr\u00e3o era a mat\u00e9ria-prima essencial para a produ\u00e7\u00e3o do tofu (leite de soja coalhado), tendo representado por milhares de anos a prote\u00edna vegetal, o leite, o queijo, o p\u00e3o e o \u00f3leo para os chineses. Al\u00e9m disso, a soja era uma esp\u00e9cie de moeda, porque era vendida \u00e0 vista ou trocada por outras mercadorias.<\/p>\n<p>A soja de cinco mil\u00eanios atr\u00e1s difere muito da soja que conhecemos hoje: eram plantas rasteiras que se desenvolviam ao longo de rios e lagos \u2013 uma esp\u00e9cie de soja selvagem. O processo de \u201cdomestica\u00e7\u00e3o\u201d da soja ocorreu no s\u00e9culo XI a.C., a partir de cruzamentos naturais feitos por cientistas chineses. Neste momento, a soja era encontrada principalmente na regi\u00e3o oriental do Norte da China, onde se cultivava trigo de inverno.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a soja come\u00e7a a ser introduzida no Sul da China, indo para a Cor\u00e9ia, o Jap\u00e3o e outros pa\u00edses do atual Sudeste da \u00c1sia. Registros hist\u00f3ricos indicam que a expans\u00e3o da cultura da soja foi lenta: teria chegado \u00e0 Cor\u00e9ia e desta ao Jap\u00e3o no s\u00e9culo III depois de Cristo (d.C.) \u2013 ficando at\u00e9 ent\u00e3o restrita \u00e0 China. No Ocidente, o gr\u00e3o surge no final do s\u00e9culo XV e in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, \u00e9poca das chamadas grandes navega\u00e7\u00f5es europeias.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o da soja como alimento \u00e9 lenta no Ocidente. No s\u00e9culo XVIII, pesquisadores europeus come\u00e7am os estudos com brotos de soja como mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e nutriente animal. O cultivo comercial se inicia nos primeiros anos do s\u00e9culo XX nos Estados Unidos, e na segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XX o teor de \u00f3leo e prote\u00edna do gr\u00e3o passam a chamar a aten\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias mundiais.<\/p>\n<p>Foi ap\u00f3s o final da Primeira Guerra Mundial, em 1919, que o gr\u00e3o de soja se torna um item de com\u00e9rcio exterior importante. Pode-se considerar o ano de 1921, quando \u00e9 fundada a American Soybean Association (ASA), como o marco da consolida\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva da soja em esfera mundial.<\/p>\n<h3><strong><u>A chegada no Brasil<\/u><\/strong><\/h3>\n<p>Embora haja registros hist\u00f3ricos que apontam para cultivos experimentais de soja na Bahia j\u00e1 em 1882, a introdu\u00e7\u00e3o da soja no Brasil tem o ano de 1901 como marco principal: \u00e9 quando come\u00e7am os cultivos na Esta\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria de Campinas e a distribui\u00e7\u00e3o de sementes para produtores paulistas. O gr\u00e3o come\u00e7a a ser mais facilmente encontrado no Pa\u00eds a partir da intensifica\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o japonesa, nos anos 1908. Em 1914, \u00e9 oficialmente introduzida no Rio Grande do Sul \u2013 estado que apresenta condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas similares \u00e0s das regi\u00f5es produtoras nos Estados Unidos (origem dos primeiros cultivares, at\u00e9 1975).<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da soja no Brasil come\u00e7a mesmo nos anos 1970, quando a ind\u00fastria de \u00f3leo come\u00e7a a ser ampliada. O aumento da demanda internacional pelo gr\u00e3o \u00e9 outro fator que contribui para o in\u00edcio dos trabalhos comerciais e em grande escala da sojicultura.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o dos plantios de soja no Brasil sempre esteve associada ao desenvolvimento r\u00e1pido de tecnologias e pesquisas focadas no atendimento da demanda externa. Tanto que na d\u00e9cada de 70 a soja j\u00e1 era a principal cultura do agroneg\u00f3cio nacional: a produ\u00e7\u00e3o havia passado do 1,5 milh\u00e3o de toneladas em 1970 para mais de 15 milh\u00f5es de toneladas em 1979. Importante notar que essa amplia\u00e7\u00e3o desde esse in\u00edcio esteve intrinsecamente ligada aos investimentos no aumento de produtividade, e n\u00e3o necessariamente de \u00e1rea (que de 1,3 milh\u00e3o de hectares passou para 8,8 milh\u00f5es de hectares na d\u00e9cada). Os \u00edndices de produtividade nesse per\u00edodo sa\u00edram do patamar de 1,14 t\/ha para 1,73 t\/ha.<\/p>\n<p>Um dos importantes agentes desse processo de evolu\u00e7\u00e3o da sojicultura brasileira foi a Embrapa, que tem desenvolvido desde esse per\u00edodo novas cultivares adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas das regi\u00f5es produtores, como o Centro-Oeste. A Embrapa Soja foi criada em 1975, e a partir da d\u00e9cada de 90 v\u00e1rias ag\u00eancias de pesquisa come\u00e7am a surgir para atuar no segmento.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o da soja para al\u00e9m dos estados da regi\u00e3o Sul s\u00f3 foi poss\u00edvel devido ao desenvolvimento de cultivares adaptadas ao clima mais quente. A ado\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica do plantio direto tamb\u00e9m contribuiu para a inser\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o na agricultura das regi\u00f5es Centro-Oeste, Nordeste e Norte. O fato de que a soja permite a fixa\u00e7\u00e3o no solo de nutrientes essenciais para o plantio de outras culturas, como o feij\u00e3o e o milho, foi um aspecto positivo para sua expans\u00e3o no Brasil, pois permitiu a ado\u00e7\u00e3o de uma entressafra produtiva.<\/p>\n<p>O desenvolvimento de cultivares tolerantes a herbicidas chega ao Brasil em 1995, quando o Governo Federal aprova a Lei de Biosseguran\u00e7a, permitindo ent\u00e3o o cultivo de plantas de soja transg\u00eanicas em car\u00e1ter experimental. A lei \u00e9 atualizada em 2005, regulamentando definitivamente o plantio e a comercializa\u00e7\u00e3o de cultivares transg\u00eanicas no Brasil.<\/p>\n<p>Esse processo de consolida\u00e7\u00e3o da sojicultura no Pa\u00eds foi fundamental para o desenvolvimento de toda uma cadeia produtiva, incluindo investimentos privados e p\u00fablicos em estruturas de armazenagem, unidades de processamento do gr\u00e3o e modais para transporte e exporta\u00e7\u00e3o da soja e seus derivados. Al\u00e9m disso, a soja brasileira permitiu uma maior viabilidade comercial para a atividade pecu\u00e1ria, devido ao fato de que se trata de uma mat\u00e9ria-prima estrat\u00e9gica para a produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal para gado bovino, su\u00edno e aves.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia positiva da sojicultura no Brasil foi o processo de desenvolvimento urbano dos munic\u00edpios ligados \u00e0 cultura, principalmente nos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Saiba mais sobre a produ\u00e7\u00e3o da soja no site da Embrapa:\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.cnpso.embrapa.br\/download\/SP15-VE.pdf\">CLIQUE AQUI<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 essa hist\u00f3ria que registramos dia a dia aqui neste site. Acompanhe e participe!<\/p>\n<h3><strong><u>Uso da Soja<\/u><\/strong><\/h3>\n<p>A cultura da soja proporcionou uma grande revolu\u00e7\u00e3o alimentar. Hoje n\u00e3o existe nenhuma outra prote\u00edna de origem vegetal com melhor custo benef\u00edcio para a produ\u00e7\u00e3o de carnes, ovos, leites e derivados do que soja. A demanda por prote\u00edna animal tem crescido substancialmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas e seguir\u00e1 crescendo, principalmente, gra\u00e7as \u00e0 melhoria de renda das pessoas nos pa\u00edses asi\u00e1ticos. Portanto, al\u00e9m de garantir prote\u00edna animal em grandes quantidade e pre\u00e7os acess\u00edveis aos brasileiros, a soja tamb\u00e9m \u00e9 importante para a seguran\u00e7a alimentar de muitas outras na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o para por a\u00ed. A soja est\u00e1 presente quando se come um ovo frito, uma mandioquinha e batata fritas, j\u00e1 que a maior parte do \u00f3leo vegetal no pa\u00eds vem da soja. Deste mesmo \u00f3leo vegetal, tem sa\u00eddo mais de 70% da mat\u00e9ria prima para produzir o biodiesel brasileiro, hoje em mistura de 10% no diesel nacional, reduzindo as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa. A soja tamb\u00e9m d\u00e1 origem a diversos produtos para consumo de pessoas vegetarianas ou com intoler\u00e2ncia a lactose, inclusive lactantes, bem como a produto de tratamento hormonal. A oleaginosa ainda est\u00e1 presente em maquiagens, tintas e at\u00e9 nos colch\u00f5es de espumas atrav\u00e9s de um pol\u00edmero (poliol).<\/p>\n<p>Geralmente, pensamos na soja como alimento ou mat\u00e9ria-prima para derivados, como \u00f3leo e farelo. Mas o gr\u00e3o tem in\u00fameros outros usos. Al\u00e9m do gr\u00e3o como alimento funcional, a soja \u00e9 utilizada para a produ\u00e7\u00e3o de produtos como chocolate, temperos prontos e massas. Derivados de carne tamb\u00e9m costumam conter soja em sua composi\u00e7\u00e3o, assim como misturas para bebidas, papinhas para beb\u00eas e muitos alimentos diet\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Do \u00f3leo extra\u00eddo do gr\u00e3o (aproximadamente 15% da produ\u00e7\u00e3o de soja em gr\u00e3o s\u00e3o destinados \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de \u00f3leo), s\u00e3o produzidos \u00f3leo de cozinha, tempero de saladas, margarinas, gordura vegetal e maionese. Do processo de obten\u00e7\u00e3o do \u00f3leo refinado de soja, obt\u00e9m-se a lecitina, um agente emulsificante (que \u201cliga\u201d a fase aquosa e oleosa dos materiais), muito usado para se produzir salsichas, maioneses, sorvetes, achocolatados, barras de cereais e produtos congelados.<\/p>\n<p>Outro segmento de produtos aliment\u00edcios que aproveita a soja \u00e9 o de bebidas prontas \u2013 leite e sucos de frutas \u00e0 base de soja.<\/p>\n<p>Indiretamente, sempre que comemos carnes estamos ingerindo soja. No Brasil, 80% do farelo de soja, junto com o milho, comp\u00f5em a ra\u00e7\u00e3o fabricada para a alimenta\u00e7\u00e3o animal. \u00c9 a transforma\u00e7\u00e3o da prote\u00edna vegetal (gr\u00e3o) em prote\u00edna animal (gr\u00e3o mais carne).<\/p>\n<p>Produtos feitos a base de soja s\u00e3o indicados a indiv\u00edduos com intoler\u00e2ncia \u00e0 lactose. Pesquisas associam o consumo da soja \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as cardiovasculares e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia do enfarto e derrame cerebral. Seus antioxidantes ajudam no ganho de massa magra e contribuem para proteger o organismo do envelhecimento causado pelos danos celulares.<\/p>\n<p>Durante a menopausa, a soja \u00e9 considerada uma alternativa natural para a reposi\u00e7\u00e3o hormonal. Al\u00e9m disso, o consumo em forma de gr\u00e3o ou farinha integral possibilita a absor\u00e7\u00e3o dos elementos bioativos importantes para as mulheres.<\/p>\n<p>Ind\u00fastrias de diferentes setores utilizam soja como mat\u00e9ria-prima em seus processos de produ\u00e7\u00e3o. Exemplo: ind\u00fastrias de cosm\u00e9ticos, farmac\u00eautica, veterin\u00e1ria, de vernizes tintas e de pl\u00e1sticos. A soja tamb\u00e9m \u00e9 muito usada pela ind\u00fastria de adesivos e nutrientes, adubos, formulador de espumas, fabrica\u00e7\u00e3o de fibra, revestimento e papel emuls\u00e3o de \u00e1gua para tintas.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria comercial mais recente, pela seguran\u00e7a e abund\u00e2ncia em termos de oferta, o \u00f3leo de soja se tornou a principal mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o do biodiesel, o combust\u00edvel renov\u00e1vel que contribui para reduzir a emiss\u00e3o de gases poluentes no meio ambiente. O biodiesel \u00e9 composto por diesel de petr\u00f3leo e \u00f3leo extra\u00eddo de v\u00e1rias oleaginosas. O \u00f3leo de soja representa mais de 80% da demanda total da fabrica\u00e7\u00e3o de biodiesel no Brasil.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds na produ\u00e7\u00e3o e processamento mundial de soja, sendo tamb\u00e9m o segundo maior exportador de gr\u00e3o, \u00f3leo e farelo de soja. Estima-se que a cadeia produtiva da soja re\u00fana no Pa\u00eds mais de 243 mil produtores, e um mercado de 1,4 milh\u00f5es de empregos. Atualmente, 70% da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3o, \u00f3leo e farelo de soja s\u00e3o exportados. Em Mato Grosso, a participa\u00e7\u00e3o da soja na economia estadual \u00e9 ainda maior: em 2011, o gr\u00e3o respondeu por 43% do Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o (VBP) estadual, sendo uma das principais for\u00e7as motrizes do desenvolvimento mato-grossense.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A origem do gr\u00e3o A primeira refer\u00eancia \u00e0 soja como alimento data de mais de 5.000 anos. O gr\u00e3o foi citado e descrito pelo imperador chin\u00eas Shen-nung, considerado o \u201cpai\u201d da agricultura chinesa, que deu in\u00edcio ao cultivo de gr\u00e3os como alternativa ao abate de animais. 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