{"id":1174,"date":"2013-08-23T18:24:41","date_gmt":"2013-08-23T18:24:41","guid":{"rendered":"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/?p=1174"},"modified":"2013-08-23T18:24:41","modified_gmt":"2013-08-23T18:24:41","slug":"mais-uma-safra-norte-americana-complexa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprosojabrasil.com.br\/comunicacao\/blog\/soja-brasil\/2013\/08\/23\/mais-uma-safra-norte-americana-complexa\/","title":{"rendered":"Mais uma safra norte-americana complexa"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s cortar a zona produtora dos EUA de leste a Oeste, saindo de Illinois e chegando ao Colorado, passando por Iowa e Nebraska, foi poss\u00edvel ter um sentimento importante que a safra dos EUA est\u00e1 frente a s\u00e9rios riscos. Primeiro porque teve o plantio muito atrasado, segundo porque a pouca chuva que seria at\u00e9 normal em anos anteriores pegou a maior parte da soja e o milho em uma fase sens\u00edvel, que \u00e9 o enchimento de gr\u00e3os. O detalhe \u00e9 que h\u00e1 um agravante: existe risco de geada mais adiante na colheita.<\/p>\n<p>Nos EUA, de forma geral, a melhor \u00e9poca para plantio do milho \u00e9 em abril e para a soja at\u00e9 15 de maio. Geralmente, os produtores plantam 70% de milho e 30% de soja em suas propriedades, iniciando com o milho e na sequ\u00eancia semeiam a soja. Neste ano foi diferente, pois o frio e as chuvas se estenderam at\u00e9 maio prejudicando os plantios.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/eua-nebraska-11.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1166 alignleft\" alt=\"eua nebraska 11\" src=\"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/eua-nebraska-11-300x168.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em conversa com produtores em Iowa, eles nos disseram que desde 1983 n\u00e3o tinham um clima t\u00e3o irregular. A primavera foi chuvosa e fria e se estendeu, o que atrasou o plantio. Depois secou de vez por um per\u00edodo longo demais, prejudicando as culturas no in\u00edcio. Em seguida, o clima esfriou por duas semanas, o que j\u00e1 impactou no desenvolvimento das plantas. E por fim, agora em algumas regi\u00f5es est\u00e1 quente demais.<\/p>\n<p>Todos estes fatores fizeram com que a safra dos EUA ficasse muito irregular. Tanto que o percentual de lavouras boas e \u00f3timas est\u00e1 diminuindo e aumentando o percentual de regulares. E isto foi poss\u00edvel constatar em nosso percurso: soja desparelha, muitas n\u00e3o fecharam a carreira, milho com enchimento de gr\u00e3os muito desuniformes na mesma \u00e1rea.<\/p>\n<p>Ao conversarmos com os produtores, eles nos disseram que os per\u00edodos de seca ou chuvas escassas n\u00e3o ocorrem todo ano, mas neste ano se agravou pelo plantio atrasado, no qual as plantas n\u00e3o cresceram tanto. O per\u00edodo mais frio alongou o ciclo o que fez com que a condi\u00e7\u00e3o de estresse h\u00eddrico se agravasse.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/eua-10-nebraska1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1176 alignright\" alt=\"eua 10 nebraska\" src=\"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/eua-10-nebraska1-300x168.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sendo assim, por mais que o USDA diga que est\u00e1 tudo normal, n\u00e3o \u00e9 o que vimos e sentimos dos produtores. Eles esperam produtividades menores do que o previsto, claro que nada de muito baixo. Um exemplo \u00e9 a previs\u00e3o para o milho em Nebraska: a m\u00e9dia prevista \u00e9 de 154 <i>bushel<\/i> por acre, a m\u00e9dia do ano passado foi de 132,8 <i>bushel.<\/i> E a m\u00e9dia hist\u00f3rica \u00e9 de 147,9 <i>bushel<\/i> por acre. Agora, se n\u00e3o chover nos pr\u00f3ximos dias, essa produtividade esperada pode cair.<\/p>\n<p>E por mais que se fale que a seca n\u00e3o est\u00e1 afetando tanto as condi\u00e7\u00f5es das lavouras, o que constatamos em \u00e1reas onde se tinha irriga\u00e7\u00e3o foi uma diferen\u00e7a gritante. O que demonstrou que a pouca chuva est\u00e1 prejudicando, tanto na soja quanto no milho. Para o milho, o ideal seria 50 mm de chuva por semana e est\u00e1 longe disto. Tem chovido, mas a chuva que cai \u00e9 escassa.<\/p>\n<p>Na soja foi poss\u00edvel comparar claramente. Em uma \u00e1rea onde parte tinha irriga\u00e7\u00e3o e parte era de sequeiro com a mesma variedade, a soja tinha 30 cm de diferen\u00e7a, 20% a mais de vagens e as vagens todas completas. Enquanto isso, nas de sequeiro, havia muitas vagens de tr\u00eas gr\u00e3os com apenas dois formados, ficando not\u00f3ria a falta de \u00e1gua. Quero ressaltar que nestes dias, nos 1600 km rodados de leste a oeste, s\u00f3 vi chuva em Denver no Colorado a 200 km da zona produtora de soja.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos dias ser\u00e3o cruciais para a consolida\u00e7\u00e3o dos progn\u00f3sticos de produ\u00e7\u00e3o, afinal a umidade do solo caiu muito a n\u00edveis cr\u00edticos. A soja e o milho em mais quinze dias completam seu ciclo de enchimento de gr\u00e3os, na maior parte das lavouras. E da\u00ed vem a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos produtores. Se houver atraso de dez dias na colheita e o inverno chegar mais cedo, pode significar uma trag\u00e9dia, pois haver\u00e1 chuvas e geadas.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s produtores, a safra dos EUA \u00e9 crucial na forma\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o futuro da nossa safra. Mas n\u00e3o estar\u00edamos t\u00e3o dependentes de pre\u00e7os melhores se os custos da safra brasileira n\u00e3o estivessem 25% mais altos, afinal eles j\u00e1 n\u00e3o seriam t\u00e3o baixos. A\u00ed ficamos assim, esperando que a safra do vizinho quebre para que n\u00f3s produtores brasileiros n\u00e3o quebremos.<\/p>\n<p>*Glauber Silveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s cortar a zona produtora dos EUA de leste a Oeste, saindo de Illinois e chegando ao Colorado, passando por Iowa e Nebraska, foi poss\u00edvel ter um sentimento importante que a safra dos EUA est\u00e1 frente a s\u00e9rios riscos. 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