
{"id":2034,"date":"2014-04-22T11:47:40","date_gmt":"2014-04-22T11:47:40","guid":{"rendered":"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/?p=2034"},"modified":"2014-04-22T11:47:40","modified_gmt":"2014-04-22T11:47:40","slug":"voce-ja-fez-a-conta-se-produzir-esta-sendo-rentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprosojabrasil.com.br\/comunicacao\/blog\/noticias-novidades\/2014\/04\/22\/voce-ja-fez-a-conta-se-produzir-esta-sendo-rentavel\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea j\u00e1 fez a conta se produzir est\u00e1 sendo rent\u00e1vel?"},"content":{"rendered":"<p>Os produtores brasileiros vivem em um embate di\u00e1rio com legisla\u00e7\u00f5es, quest\u00f5es ind\u00edgenas, ambientais. No Mato Grosso s\u00e3o 680 mil hectares embargados pelo IBAMA retirados da produ\u00e7\u00e3o. A todo o momento somos surpreendidos com algo novo: suspens\u00e3o de defensivos, emenda para tributa\u00e7\u00e3o da soja, um novo formul\u00e1rio que precisa ser preenchido, uma nova licen\u00e7a exigida. Coisas que surgem e v\u00e3o minando o nosso prazer de produzir e a\u00ed me pergunto, tem valido a pena financeiramente?<br \/>\nSegundo o IMEA, no Mato Grosso o custo vari\u00e1vel para a soja, considerando (fertilizantes, defensivos, semente, m\u00e3o de obra, opera\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas etc.), subiram 100% nas \u00faltimas quatro safras, um crescimento de custo m\u00e9dio de 25% ao ano. Este custo saiu de R$ 1.129,85 na safra 2010\/11 para um valor estimado de R$ 2.317,87 na safra 2014\/15, com tend\u00eancia de crescer.<br \/>\nA\u00ed aparece novamente a pergunta: temos rentabilidade com a baixa escala? Quando analisamos item por item do custo de produ\u00e7\u00e3o vemos que o pre\u00e7o da semente foi um dos grandes vil\u00f5es. S\u00f3 nas \u00faltimas duas safras a semente subiu 37% segundo a CONAB, e o que mais me espantou foi ver que na safra 2012\/13 o Paran\u00e1 teve um dos custos mais altos do Brasil, R$ 131,25 por hectare, enquanto no Mato Grosso foi de R$ 95,17 e no Rio Grande do Sul, do ladinho, R$ 95,00.<br \/>\nNa \u00faltima safra, 2013\/14, o Paran\u00e1 seguiu se destacando com um custo de semente acima da m\u00e9dia nacional, R$ 169,50 por hectare, um crescimento de 29% comparado a anterior. O custo m\u00e9dio Brasil foi de R$ 145 por hectare. Mas foi no Mato Grosso onde o custo mais cresceu, subindo 43%, passando a R$ 136,00 por hectare. Goi\u00e1s vem em seguida com 38% de aumento, chegando aos R$ 173,25 por hectare. Mas \u00e9 do Mato Grosso do Sul o posto de maior pre\u00e7o de semente do Brasil, R$ 135 e R$ 175 por hectare, nas duas \u00faltimas safras, respectivamente.<br \/>\nOs agroqu\u00edmicos sem d\u00favida nestas \u00faltimas safras foram os maiores vil\u00f5es com um crescimento de custo de 83% entre safras, sa\u00edmos de um gasto m\u00e9dio nacional de R$ 190,00 na safra 2012\/13 para R$ 347,21 segundo a CONAB, dados muito pr\u00f3ximos aos do IMEA para o Mato Grosso. Estado que neste quesito foi o de maior custo do Brasil na safra 2013\/14, com\u00a0 R$ 523, seguido pela Bahia R$ 411,94, Mato Grosso do sul R$ 380 e do PR com R$ 254.<br \/>\nE quando comparamos nosso custo para soja at\u00e9 o porto (sem o custo da terra) entre nossos principais competidores, o Brasil s\u00f3 empata com a Argentina devido aos 35% de impostos sobre a produ\u00e7\u00e3o. Os produtores de soja dos Estados Unidos est\u00e3o com um custo por hectare de U$ 750 a Argentina com impostos U$ 900 e U$ 300 sem impostos, o Brasil na m\u00e9dia com\u00a0 U$ 900 e o MT com U$ 1.300.<br \/>\n\u00c9 interessante lembrar, que h\u00e1 dez anos o custo do Brasil era menor que dos EUA e da Argentina, por exemplo, na safra 2003\/04\u00a0 o do Brasil era de U$450, da Argentina U$ 510 e dos EUA U$ 600. Como podemos observar, no Brasil tivemos um crescimento no custo de 100% em d\u00f3lar nos \u00faltimos dez anos, enquanto que nos EUA apenas 25%, isto \u00e9 um reflexo claro da falta de log\u00edstica e outras defici\u00eancias brasileiras.<br \/>\nA\u00ed fica novamente o questionamento, onde vai parar este custo? Teremos rentabilidade? O custos vari\u00e1vel de produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dio de soja no Brasil para a pr\u00f3xima safra deve crescer de 22% a 25%, ou seja, chegaremos aos de R$ 2.126,00 por hectare e a um c\u00e2mbio de 2,2. Ent\u00e3o, ser\u00e3o gastos US$ 966,36 por hectare a uma produtividade m\u00e9dia de 50 sacas por hectare, isso d\u00e1 US$ 19,32 por saca. A\u00ed pergunto: e os custos fixos? Presta\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas? O custo da terra? E o arrendamento?<br \/>\nQuando vejo a planilha do IMEA para o custo de produ\u00e7\u00e3o do estado de Mato Grosso, para a safra 2014\/15, apontando R$ 2.317,87 de custos vari\u00e1veis e R$ 2.913,38 de custo total, ao c\u00e2mbio de R$ 2,2 estamos falando de U$ 1.053,57 e U$ 1.324,26 o custo total da lavoura. A uma produtividade m\u00e9dia de 54 sacas por hectare, s\u00e3o U$ 24,52 a saca de soja produzida, sinceramente, \u00e9 desanimador. Ou seja, o arrendat\u00e1rio daqui tamb\u00e9m est\u00e1 em maus len\u00e7\u00f3is, assim como o argentino.<br \/>\nEmbora recheado de n\u00fameros, o objetivo aqui \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o, pois al\u00e9m de quest\u00f5es Ind\u00edgenas, Quilombolas, Ambientais, Trabalhistas, Lei de Caminhoneiros, Tributos, Biotecnologia, Pesquisa e etc., n\u00f3s ainda temos um custo que de forma sorrateira est\u00e1 nos matando e tirando muitos produtores da atividade. E quando falamos em quebra de produtividade o drama se instala, afinal o governo v\u00ea a m\u00e9dia e n\u00e3o o regional ou individual.<br \/>\nQuando partirmos para uma safra com custos t\u00e3o altos e sem nenhum mecanismo real de seguro de safra e de renda, com amea\u00e7as de menos defensivos agr\u00edcolas, de nos tomarem as terras, o que devemos fazer? Precisamos ter uma pauta comum de reinvindica\u00e7\u00e3o, uma cobran\u00e7a imediata ao governo. Precisamos de seguro de produ\u00e7\u00e3o, de renda, seguran\u00e7a jur\u00eddica e produtos competitivos para produzir. Caso contr\u00e1rio, o que nos resta \u00e9 dar a resposta adequada, aquela mais desaforada e presa na garganta de todos.<br \/>\n*Glauber Silveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os produtores brasileiros vivem em um embate di\u00e1rio com legisla\u00e7\u00f5es, quest\u00f5es ind\u00edgenas, ambientais. No Mato Grosso s\u00e3o 680 mil hectares embargados pelo IBAMA retirados da produ\u00e7\u00e3o. A todo o momento somos surpreendidos com algo novo: suspens\u00e3o de defensivos, emenda para tributa\u00e7\u00e3o da soja, um novo formul\u00e1rio que precisa ser preenchido, uma nova licen\u00e7a exigida. 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