{"id":2359,"date":"2014-07-22T08:36:50","date_gmt":"2014-07-22T08:36:50","guid":{"rendered":"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/2014\/?p=2359"},"modified":"2014-07-22T08:36:50","modified_gmt":"2014-07-22T08:36:50","slug":"por-que-mudar-a-legislacao-trabalhista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprosojabrasil.com.br\/comunicacao\/blog\/artigos\/2014\/07\/22\/por-que-mudar-a-legislacao-trabalhista\/","title":{"rendered":"Por que mudar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/2014\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Moyses-Barjud.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-139 \" src=\"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/2014\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Moyses-Barjud-300x300.jpg\" alt=\"Moyses-Barjud\" \/><\/a>O produtor rural brasileiro tem sido v\u00edtima de estere\u00f3tipos, em sua imensa maioria at\u00e9 absurdos, no que pese o seu relevante papel na economia e no avan\u00e7o da qualidade de vida no pa\u00eds. Ator principal no cen\u00e1rio do combate a fome, e n\u00e3o as pol\u00edticas assistencialistas do governo as respons\u00e1veis por esta vit\u00f3ria, mas sim a efici\u00eancia dos produtores no campo, tem sido alvo f\u00e1cil de ataques surreais, sempre vinculados a temas como destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, utiliza\u00e7\u00e3o de \u201cvenenos\u201d, explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, etc. Enquanto degustam o que esses her\u00f3is plantam e colhem com muito suor, olvidam propositalmente da verdade, embora seja dif\u00edcil aceitar a ignor\u00e2ncia diante de algo t\u00e3o \u00f3bvio: s\u00e3o fam\u00edlias h\u00e1 d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 lavoura, que apenas seguem o que dita \u00e0 lei, ao beneficiar suas fazendas ou utilizar racionalmente defensivos, muito menos agressivos e muito mais necess\u00e1rios do que costumam achar \u2013 e que na imensa maioria dos casos t\u00eam em seus funcion\u00e1rios grandes amigos.<br \/>\nE quando enfatizo a rela\u00e7\u00e3o do empregador e do empregado \u00e9 porque podemos observamos dois momentos hist\u00f3ricos no Brasil: a d\u00e9cada de 1940, quando Get\u00falio Vargas assegurou aos trabalhadores os direitos e garantias m\u00ednimas necess\u00e1rias para proteger o trabalhador; e os \u00faltimos 10 anos, quando, de forma absurda e no m\u00ednimo estranha, o governo tenta extirpar dos empregadores qualquer seguran\u00e7a, tratando-os como algo pernicioso. O \u00e1pice desse absurdo se observa quando o assunto \u00e9 \u201ctrabalho escravo\u201d.<br \/>\n\u00c9 fato que na ind\u00fastria, no com\u00e9rcio, no setor rural e at\u00e9 nas rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas existem empregadores que tratam de forma degradante seus funcion\u00e1rios, contudo n\u00e3o se pode negar que essas situa\u00e7\u00f5es configuram lastim\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es. Apesar de o ser, a forma como buscam reprimir esse hediondo tratamento est\u00e1 se mostrando extremamente infeliz e atentat\u00f3ria a direitos garantido. E, o pior, o subjetivismo das normas que est\u00e3o tentando fazer valer transformar\u00e1 a gera\u00e7\u00e3o de emprego em algo arriscado.<br \/>\n\u201cA pena n\u00e3o passar\u00e1 da pessoa do condenado\u201d. Essa \u00e9 uma garantia constitucional que n\u00e3o querem permitir no direito do trabalho, em que todos \u2013 inclusive seus herdeiros e sucessores &#8211; pagar\u00e3o pelo erro de um. Ora, endure\u00e7a as regras para este, com crit\u00e9rios objetivos e tipificados, mas deixem em paz o resto.<br \/>\nOs moinhos gigantes de Dom Quixote se apresentam \u2013 ou se permitem apresentar &#8211; na falta de clareza nos crit\u00e9rios para definir o que \u00e9 jornada exaustiva e trabalho degradante previstos no <strong>artigo 149 do<\/strong>C\u00f3digo Penal brasileiro. Na pr\u00e1tica o que acontece \u00e9 que o fiscal utiliza as portarias e Instru\u00e7\u00f5es Normativas (IN) do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) como crit\u00e9rios que devem ser atendidos e caso ele entenda que houve descumprimento, na maioria das vezes, com base na sua experi\u00eancia, julgar\u00e1 se a situa\u00e7\u00e3o caracteriza trabalho degradante ou jornada exaustiva. Por exemplo: Se a IN do MTE disser que a qualidade da \u00e1gua deve ser \u201cfresca\u201d, mesmo se o empregador der a mesma \u00e1gua que ele e sua fam\u00edlia bebem, caso o fiscal achar que n\u00e3o \u00e9 fresca ele pode enquadrar como caso de trabalho degradante, portanto condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a de escravo, como diz o art. 149 do C\u00f3digo Penal. Normalmente, se achar um conjunto de irregularidades do tipo espessura de colch\u00e3o, presen\u00e7a e tamanho de portas e janelas, dist\u00e2ncia entre camas ou beliches, com certeza o produtor ser\u00e1 autuado e seu nome vai para uma lista negra, antes mesmo de ter um julgamento. Como consequ\u00eancia disso ter\u00e1 seu cr\u00e9dito inviabilizado, pois as institui\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o orientadas a n\u00e3o fornecer cr\u00e9dito para custeio e investimentos a quem estiver na famigerada lista, inobstante outras restri\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNecess\u00e1rio se faz diferenciar trabalho escravo de jornada exaustiva e trabalho degradante, principalmente porque agora temos uma Emenda Constitucional n\u00ba 81 que diz que se for constatada explora\u00e7\u00e3o de trabalho escravo na propriedade em \u00e1reas urbanas ou rurais, o im\u00f3vel ser\u00e1 desapropriado! Essa, ali\u00e1s, a maior incongru\u00eancia que est\u00e1 marcando o embate: ao se desapropriar um im\u00f3vel para fins de reforma agr\u00e1ria ou para preserva\u00e7\u00e3o ambiental, o objetivo \u00e9 dar ao im\u00f3vel uma fun\u00e7\u00e3o social ou perpetuar a sua aptid\u00e3o para preserva\u00e7\u00e3o. O foco \u00e9 o im\u00f3vel, e n\u00e3o o propriet\u00e1rio. Mas no caso da Emenda Constitucional n\u00ba 81, temos uma desapropria\u00e7\u00e3o por motiva\u00e7\u00e3o n\u00e3o relacionada ao im\u00f3vel, mas a seu dono!<br \/>\nPor isso, a Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA) trabalhou o texto do Projeto de Lei do Senado &#8211; PLS 423\/2013 para que fosse definido adequadamente o que \u00e9 condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a de escravo, sem envolver jornada exaustiva e trabalho degradante. Isso n\u00e3o seria necess\u00e1rio se os fiscais adotassem crit\u00e9rios objetivos para o enquadramento, e n\u00e3o houvesse casos de pareceres divergentes entre eles, prova da subjetividade das normas.<br \/>\nPois bem, tudo isso foi para chegar ao seguinte assunto: O Governo Brasileiro fez recentemente um trabalho junto a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), na Confer\u00eancia da entidade entre os dias 28\/05\/14 \u00e0 12\/06\/2014, onde apoiou e conduziu a aprova\u00e7\u00e3o de uma recomenda\u00e7\u00e3o a Conven\u00e7\u00e3o n\u00famero 29 que trata sobre trabalho for\u00e7ado. A recomenda\u00e7\u00e3o legitima a legisla\u00e7\u00e3o nacional, fortalecendo tudo o que infelizmente \u00e9 feito hoje (subjetividade e a lista negra atual), e ainda inovou responsabilizando toda a cadeia produtiva e prevendo compensa\u00e7\u00f5es e indeniza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nCriou-se uma situa\u00e7\u00e3o em que EUA e China, por exemplo, poder\u00e3o nos responsabilizar por descumprimento da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, mesmo que a nossa seja muito mais r\u00edgida que a deles. Al\u00e9m disso, nos EUA e no Bloco Europeu se admite conven\u00e7\u00f5es trabalhistas por classe, enquanto no Brasil \u00e9 vedado tudo que excede o que est\u00e1 previsto em lei, portanto, podendo ser objeto de retalia\u00e7\u00e3o em assuntos comerciais.<br \/>\nEm um momento em que dever\u00edamos estar discutindo como fazer o pa\u00eds voltar a crescer &#8211; o que passa necessariamente por uma reforma no sistema de ensino e capacita\u00e7\u00e3o -, em como modernizar nossa legisla\u00e7\u00e3o e estimular a cria\u00e7\u00e3o de novos empregos, estamos caminhando para tr\u00e1s, evitando que o pa\u00eds cres\u00e7a e negando oportunidade de trabalho a milhares de brasileiros.<br \/>\nAl\u00e9m disso, a produtividade \u00e9 pe\u00e7a fundamental no sucesso de qualquer empresa. N\u00e3o \u00e9 a toa que os produtores rurais est\u00e3o dando de dez a zero nos outros setores. A tecnologia empregada e os processos no campo n\u00e3o deixam nada a desejar perante nossos competidores. Por\u00e9m, embora norte-americanos e argentinos possam terceirizar a opera\u00e7\u00e3o de plantio e colheita, no Brasil isso n\u00e3o \u00e9 permitido, e somos ref\u00e9ns de ideologias retr\u00f3gradas.<br \/>\nO setor que tem liderado a economia brasileira, embora seja alvo constante de toda esp\u00e9cie de cr\u00edticas e acusa\u00e7\u00f5es, tem puxado esta discuss\u00e3o essencial da necessidade de alterar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Porque sabemos que tanto a conceitua\u00e7\u00e3o do que \u00e9 trabalho an\u00e1logo a escravo quanto a terceiriza\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores limitantes do crescimento do pa\u00eds.<br \/>\nEngana-se quem pensa se tratar de uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, pois as consequ\u00eancias ser\u00e3o definitivamente sociais. Ou o que voc\u00ea acha que o empres\u00e1rio far\u00e1 quando perceber que manter um empregado significar\u00e1 ter mais preju\u00edzo do que lucro? Ele substitui por m\u00e1quinas. Ainda acha que n\u00e3o precisamos mudar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista?<br \/>\n<em>*Moys\u00e9s Barjud &#8211; presidente da Aprosoja Piau\u00ed<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O produtor rural brasileiro tem sido v\u00edtima de estere\u00f3tipos, em sua imensa maioria at\u00e9 absurdos, no que pese o seu relevante papel na economia e no avan\u00e7o da qualidade de vida no pa\u00eds. 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