{"id":4032,"date":"2015-02-06T17:30:37","date_gmt":"2015-02-06T17:30:37","guid":{"rendered":"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/2014\/?p=4032"},"modified":"2015-02-06T17:30:37","modified_gmt":"2015-02-06T17:30:37","slug":"aquonegocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprosojabrasil.com.br\/comunicacao\/blog\/artigos\/2015\/02\/06\/aquonegocio\/","title":{"rendered":"\u201cAquoneg\u00f3cio\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Falta d\u2019\u00e1gua. Crise h\u00eddrica. A recente e crescente escassez do l\u00edquido, seja para abastecer as popula\u00e7\u00f5es urbanas, seja para produzir energia ou at\u00e9 mesmo alimentos est\u00e1 na ordem do dia. Praticamente todas as an\u00e1lises e especula\u00e7\u00f5es sobre esse fen\u00f4meno colocam a agricultura como uma das grandes respons\u00e1veis, j\u00e1 que \u00e9 apontada como a mais voraz \u201cconsumidora\u201d de \u00e1gua da sociedade.<br \/>\nMas por que est\u00e1 \u201cfaltando \u00e1gua\u201d? A agricultura tem, de fato, culpa disso? Ser\u00e1 poss\u00edvel produzir alimentos sem \u201cconsumir\u201d \u00e1gua?<br \/>\nEssa preocupa\u00e7\u00e3o parece perpassar uma s\u00e9rie de articulistas que publicam sistematicamente libelos contra o \u201cagroneg\u00f3cio\u201d brasileiro, como se este tivesse uma exist\u00eancia f\u00edsica e n\u00e3o se tratasse de uma categoria de an\u00e1lise econ\u00f4mica. Agroneg\u00f3cio \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, referente \u00e0 cadeia produtiva agropecu\u00e1ria e florestal, e n\u00e3o as grandes empresas desses setores, alvo preferencial desses analistas.<br \/>\nDestacam a destrui\u00e7\u00e3o do cerrado que, j\u00e1 ocupado em 40%, \u201cacabaria\u201d nos pr\u00f3ximos 20 anos. Longe de ser sin\u00f4nimo de destrui\u00e7\u00e3o, esse uso do cerrado tem gerado alimentos, empregos, rendas, divisas e, portanto, desenvolvimento para o Brasil. Diriam que essa \u00e9 uma forma ufanista e simplista de analisar a quest\u00e3o. Ora, a Lei n. 12.651\/2012 vigente permite que esse bioma seja explorado entre 65% a 80%! A \u201cculpa\u201d no caso \u00e9 do Congresso Nacional, que aprovou a lei que autoriza essa utiliza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o do \u201cagroneg\u00f3cio\u201d, como querem esses artigos. Os percentuais estipulados na lei s\u00e3o bons ou ruins? S\u00f3 uma an\u00e1lise t\u00e9cnica das condi\u00e7\u00f5es locais poderia dizer. O cerrado como manancial de grandes bacias hidrogr\u00e1ficas brasileiras3 ainda est\u00e1 longe de assumir a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica que tem e, por isso, merece uma aten\u00e7\u00e3o especial quanto aos seus usos, sob a \u00f3tica de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<br \/>\nArgumenta-se tamb\u00e9m que a produ\u00e7\u00e3o advinda desses locais \u00e9 exportada como comida (soja) para engordar porcos na China. \u00c9 \u00f3bvio que se deveria engord\u00e1-los aqui e exportar a carne do porco, se poss\u00edvel, j\u00e1 preparada. Assim, a partir dessa premissa, se conclui por uma pretensa inviabilidade do agroneg\u00f3cio brasileiro. No entanto, as contas que est\u00e3o supostas por danos ambientais irrevers\u00edveis, subs\u00eddios e rolagem de d\u00edvidas, perpetrados e obtidos por parte dos grandes empres\u00e1rios do setor s\u00e3o imposs\u00edveis de ser analisadas, porque os dados utilizados s\u00e3o desconhecidos. Da\u00ed a se concluir que esse \u201cmodelo\u201d \u00e9 insustent\u00e1vel, al\u00e9m de calcado numa cultura de desperd\u00edcio, e que jamais ser\u00e1 capaz de contribuir para abastecer o mundo dos alimentos necess\u00e1rios ao crescimento da popula\u00e7\u00e3o global, vai uma enorme dist\u00e2ncia.<br \/>\nA agropecu\u00e1ria representa no Brasil de 8% a 10% do PIB4 que, com o multiplicador do agroneg\u00f3cio, conservadoramente igual a tr\u00eas, leva a produ\u00e7\u00e3o setorial a representar de 25% a 30% do PIB brasileiro5. No com\u00e9rcio exterior, que tanto parece preocupar os articulistas, as cadeias produtivas brasileiras ligadas ao agroneg\u00f3cio exportaram em 2013, perto de US$100 bilh\u00f5es e importaram US$17 bilh\u00f5es, incluindo at\u00e9 feij\u00e3o, gerando um saldo de US$83 bilh\u00f5es. Claro que \u00e9 um contrassenso vender mat\u00e9ria-prima para ra\u00e7\u00e3o animal a pre\u00e7os baixos e carne oriunda de pecu\u00e1ria de baixa produtividade. Mas, se carne bovina e alimento para animais fossem exportados com alto valor agregado, permitindo a importa\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o e melhorando a balan\u00e7a comercial, n\u00e3o seria isso que tornaria o modelo insustent\u00e1vel.<br \/>\nAo abordarem a quest\u00e3o da \u00e1gua, o desastre, ent\u00e3o, se completa. H\u00e1 uma ignor\u00e2ncia total e absoluta sobre o que seja o ciclo hidrol\u00f3gico: a \u00e1gua que cai com as chuvas, a que corre, a que infiltra e penetra no solo, a que as plantas e o solo evaporam ap\u00f3s utiliz\u00e1-las, e aquela que mant\u00e9m as reservas subterr\u00e2neas. Esse processo \u00e9 totalmente influenciado pela energia do sol e pela gravidade, al\u00e9m dos grandes movimentos clim\u00e1ticos regidos pelos oceanos.<br \/>\nNuma situa\u00e7\u00e3o primitiva, com o terreno recoberto por florestas nativas, ao ocorrer uma precipita\u00e7\u00e3o, parte da \u00e1gua \u00e9 retida nas folhas das copas. Uma por\u00e7\u00e3o dela \u00e9 evaporada e outra \u00e9 fornecida lentamente ao solo atrav\u00e9s dos galhos, troncos e ra\u00edzes, indo se acumular no len\u00e7ol fre\u00e1tico que, por sua vez, vai alimentar as nascentes, e criar, manter ou aumentar as reservas. Uma fra\u00e7\u00e3o dessa \u00e1gua da precipita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vai, por \u201cdefl\u00favio superficial\u201d, ou seja, pelo escorrimento, para os cursos d\u2019\u00e1gua. Esse quadro \u00e9 produto de um demorado processo de forma\u00e7\u00e3o do subsolo, dos solos e da vegeta\u00e7\u00e3o. A maior parcela dessa \u00e1gua \u00e9 utilizada pelas \u00e1rvores e acaba evaporando para atmosfera, fechando o ciclo.<br \/>\nQuando h\u00e1 uma interfer\u00eancia humana nesse delicado equil\u00edbrio, por exemplo, suprimindo a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e introduzindo culturas agr\u00edcolas, pastagens, ou mesmo florestas, v\u00e1rias modifica\u00e7\u00f5es acontecem. Em primeiro lugar, h\u00e1 um aumento do defl\u00favio superficial, fazendo com que parte da \u00e1gua, que era antes captada pelas copas florestais, passe a ir mais rapidamente para os cursos d\u2019\u00e1gua e, consequentemente, alimentando com menores quantidades o len\u00e7ol fre\u00e1tico existente. Isso tender\u00e1 a reduzir, em longo prazo, o volume total de \u00e1gua dispon\u00edvel nas reservas subterr\u00e2neas. Quaisquer culturas agr\u00edcolas, implantadas nessas \u00e1reas, em fun\u00e7\u00e3o de suas altas produtividades, s\u00e3o bastante exigentes em \u00e1gua e nutrientes. Dessa forma, v\u00e3o paulatinamente reduzindo cada vez mais o estoque de \u00e1gua existente nas reservas, se n\u00e3o houver o uso de t\u00e9cnicas de conserva\u00e7\u00e3o como plantio direto, curvas de n\u00edvel, rota\u00e7\u00e3o de culturas, consorcia\u00e7\u00e3o, controle integrado de pragas, prote\u00e7\u00e3o de cursos d\u2019\u00e1gua, quebra ventos, manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<br \/>\nEssa perda h\u00eddrica j\u00e1 existe no Nordeste, no Sudeste e no Sul do Brasil, notadamente na faixa litor\u00e2nea, h\u00e1 quase 500 anos. S\u00e3o cinco s\u00e9culos de retirada de \u00e1gua, sem a reposi\u00e7\u00e3o equivalente, em face das modifica\u00e7\u00f5es provocadas pelo desmatamento. Nessas condi\u00e7\u00f5es, qualquer cultura acaba provocando reflexos na \u201cprodu\u00e7\u00e3o\u201d de \u00e1gua das bacias. Assim, culturas conduzidas de maneira inadequada podem de fato levar a uma relativa escassez de \u00e1gua, o que, no entanto, n\u00e3o \u00e9 exclusividade de uma determinada esp\u00e9cie, seja ela florestal ou agr\u00edcola6. \u00c9 um problema do manejo agroflorestal e n\u00e3o da esp\u00e9cie cultivada. Os reflorestamentos, por seu turno, acabam por diminuir a quantidade de \u00e1gua de defl\u00favio, o que leva a concluir que a import\u00e2ncia das florestas n\u00e3o est\u00e1 nos fluxos imediatos de \u00e1gua, por\u00e9m, no controle do armazenamento de \u00e1gua no solo. Dessa forma, as florestas n\u00e3o est\u00e3o ligadas apenas a um aumento dessa estocagem, mas ao efeito regulador que exercem sobre esses mananciais. Atualmente, existem teorias que v\u00e3o al\u00e9m dessa fun\u00e7\u00e3o reguladora. Por interm\u00e9dio da \u201cevapotranspira\u00e7\u00e3o\u201d, as grandes florestas, como a amaz\u00f4nica, mandariam para a atmosfera verdadeiros rios formados pela evapora\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico que \u201cbate\u201d nos Andes e volta. Esses \u201crios a\u00e9reos\u201d7 alimentariam chuvas em outras regi\u00f5es, como o Centro-Sul do pa\u00eds. Um desmatamento expressivo naquela regi\u00e3o causaria problemas de seca nesta \u00faltima. Essa teoria, no entanto, n\u00e3o tem unanimidade, havendo cientistas que afirmam que o processo \u00e9 exatamente o inverso. \u00c9 uma grande pol\u00eamica entre os meteorologistas.<br \/>\nDe qualquer modo \u00e9 fundamental, ao se pretender estabelecer uma cultura agr\u00edcola qualquer, mesmo as florestais com finalidades ambientais, levar em considera\u00e7\u00e3o o \u201cbalan\u00e7o h\u00eddrico\u201d, para que n\u00e3o se venha a ter problemas de escassez de \u00e1gua em fun\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre o requerimento associado \u00e0s altas produtividades inerentes a essas culturas, e o n\u00edvel de precipita\u00e7\u00e3o anual m\u00e9dio do local.<br \/>\nA f\u00f3rmula b\u00e1sica do ciclo relaciona a evapotranspira\u00e7\u00e3o, ou seja, a \u00e1gua que sai evaporada do solo e mais a que a planta utiliza e transpira e devolvida para a atmosfera e que \u00e9 maior parte do processo, com os outros destinos da \u00e1gua no solo. Evapotranspira\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, a quantidade de \u00e1gua necess\u00e1ria para as culturas crescerem de forma otimizada, ou seja, o que elas v\u00e3o consumir sem comprometer o n\u00edvel das reservas subterr\u00e2neas.<br \/>\nA \u00e1gua \u201cdispon\u00edvel\u201d para utiliza\u00e7\u00e3o, fora a evapotranspira\u00e7\u00e3o, \u00e9 de aproximadamente 10% da precipita\u00e7\u00e3o local, e ela \u00e9 liberada no prazo de alguns dias. Ora, afirmar, como tem sido feito, em algumas publica\u00e7\u00f5es contra o agroneg\u00f3cio, que, sem suas atividades, a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua seria igual \u00e0 precipita\u00e7\u00e3o, deve ser considerado como uma desonestidade intelectual. A menos que toda \u00e1gua precipitada ocorresse sobre uma imensa laje de concreto ou asfalto.<br \/>\nRetomando, o consumo de \u00e1gua pelas plantas \u00e9 igual \u00e0 evapotranspira\u00e7\u00e3o e varia de esp\u00e9cie para esp\u00e9cie vegetal, assim como a quantidade de \u00e1gua necess\u00e1ria para produzir determinada quantidade do produto que se queira analisar.<br \/>\nNote-se que a evapotranspira\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por 60-70%, em m\u00e9dia, da quantidade total do destino da \u00e1gua que cai pelas precipita\u00e7\u00f5es. \u00c9 essa \u00e1gua que erroneamente \u00e9 considerada como \u201cconsumo\u201d das culturas agr\u00edcolas. E aquilo que se chama de \u201c\u00e1gua aproveit\u00e1vel\u201d (escorrimento superficial) \u00e9 de cerca de 1%, sendo de fato muito pouco!<br \/>\nMas afinal, porque existe falta d\u2019\u00e1gua na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo?<br \/>\nPorque h\u00e1 um consumo maior do que a quantidade disponibilizada pelas chuvas nas bacias que fornecem \u00e1gua para a regi\u00e3o, al\u00e9m de, como \u00e9 \u00f3bvio, n\u00e3o se conseguir aproveitar toda a \u00e1gua que n\u00e3o \u00e9 evapotranspirada e infiltrada, para abastecer a demanda. Com a urbaniza\u00e7\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o do consumo n\u00e3o acompanhou a distribui\u00e7\u00e3o f\u00edsica das precipita\u00e7\u00f5es, e a \u00e1gua que cai sobre o Estado n\u00e3o consegue ser aproveitada em todo seu potencial.<br \/>\nMas, na agropecu\u00e1ria, isso se inverte, e cerca de 9% da precipita\u00e7\u00e3o, que \u00e9 detida na superf\u00edcie do solo, gera muita \u00e1gua, que acaba \u201csobrando\u201d para outros usos, como abastecimento urbano, gera\u00e7\u00e3o de energia e uso industrial.<br \/>\nOutro par\u00e2metro que se utiliza para \u201cmedir\u201d a \u00e1gua na agricultura \u00e9 a efici\u00eancia no uso da \u00e1gua, ou seja, de quanto \u00e9 o consumo de \u00e1gua para se obter um quilograma de um produto. \u00c9 efici\u00eancia da transforma\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em produto.<br \/>\nTudo que \u00e9 irrigado tem um consumo de \u00e1gua muito grande. O que n\u00e3o \u00e9 irrigado possui um consumo relativamente baixo de \u00e1gua. Isso, entretanto, n\u00e3o quer dizer que essa \u00e1gua \u201cfique\u201d no produto. Toda planta precisa de \u00e1gua, como os humanos, por\u00e9m, essa \u00e1gua \u00e9 utilizada e volta para o ciclo.<br \/>\nQuem l\u00ea aqueles artigos, sem prestar-lhes muita aten\u00e7\u00e3o, acaba \u201cvendo\u201d a \u00e1gua sendo consumida pela agropecu\u00e1ria e \u201cdesaparecendo\u201d nas \u201cregas\u201d da soja ou na sede inigual\u00e1vel dos bovinos. A soja n\u00e3o \u00e9 \u201cregada\u201d, a \u00e1gua da chuva \u201cpassa\u201d pela planta, onde 18% dela fica retida nos gr\u00e3os na hora da colheita. O restante retorna ao ciclo novamente. Assim, apenas cerca de 640 litros ficam embutidos na produ\u00e7\u00e3o anual de soja, ou 0,00005%!<br \/>\nO mesmo se passa com o gado. A pecu\u00e1ria bovina em S\u00e3o Paulo, a mais evolu\u00edda do pa\u00eds, \u00e9 a atividade que mais produz \u00e1gua para a popula\u00e7\u00e3o paulista. Ouve-se muito que para se produzir carne bovina se gasta muita \u00e1gua. \u00c9 verdade. Para produzir um quilograma de carne, s\u00e3o consumidos cerca de 8 mil litros de \u00e1gua, que, entretanto, \u00e9 continuamente reciclada. N\u00e3o fosse assim, o boi teria no abate cerca de 2 mil toneladas! Pelo mesmo racioc\u00ednio, um ser humano, adulto aos 15 anos, pesaria 16 toneladas. Ao considerar a \u00e1gua para a sua sobreviv\u00eancia, ele pesaria 600 toneladas. Mas, como nas terras paulistas se produzem, em m\u00e9dia, 120 quilogramas de carne (com 70% de \u00e1gua) bovina por hectare por ano, a pecu\u00e1ria acaba sendo a atividade de menor extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da agropecu\u00e1ria paulista.<br \/>\nPortanto, para se verificar a disponibilidade de \u00e1gua, tem-se que usar o consumo de \u00e1gua por hectare\/ano das culturas multiplicado pela \u00e1rea que cada uma delas ocupa, levando em conta as precipita\u00e7\u00f5es locais. Dez por cento desse montante \u00e9 a \u201coferta\u201d de \u00e1gua do estado, que deve ser confrontada com o consumo: urbano, industrial, dom\u00e9stico, energ\u00e9tico.<br \/>\nA precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia no Estado de S\u00e3o Paulo gira ao redor de 1.200\/1.300 mm, ou seja, 12 a 13 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua por hectare por ano. As diversas culturas, umas mais, outras menos, \u201cproduzem\u201d por hectare e por ano os milh\u00f5es de litros de \u00e1gua que v\u00e3o para outros usos. Destes totais, cerca de 10% v\u00e3o diretamente para os cursos d\u2019\u00e1gua e o restante \u00e9 liberado paulatinamente para alimenta\u00e7\u00e3o dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, e depois para os usos correntes. Grosso modo, o escorrimento superficial no Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 de cerca de 3 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos por ano, suficientes para abastecer uma popula\u00e7\u00e3o de 45 milh\u00f5es de pessoas com um consumo m\u00e9dio de 200 litros por dia (a ONU prop\u00f5e um consumo di\u00e1rio de 110 litros por pessoa). Note-se que esses 3 bilh\u00f5es de litros s\u00e3o apenas 10% da \u00e1gua que \u00e9 infiltrada (oferta de \u00e1gua) e que ser\u00e1 disponibilizada para consumo ao longo do ano.<br \/>\nVerifica-se, portanto, que, longe de ser a vil\u00e3 na quest\u00e3o da \u00e1gua, a agropecu\u00e1ria \u00e9 perfeitamente sustent\u00e1vel do ponto de vista h\u00eddrico, e \u00e9 a grande produtora de \u00e1gua para outros usos sociais, n\u00e3o sendo, de modo algum, fator de escassez de \u00e1gua<br \/>\n\u00c9 um verdadeiro \u201caquoneg\u00f3cio\u201d, pelo qual n\u00e3o existe nenhuma remunera\u00e7\u00e3o!<br \/>\nFonte: Publicado pelo Instituto de Economia Agr\u00edcola, por Eduardo Pires Castanho J\u00fanior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta d\u2019\u00e1gua. Crise h\u00eddrica. A recente e crescente escassez do l\u00edquido, seja para abastecer as popula\u00e7\u00f5es urbanas, seja para produzir energia ou at\u00e9 mesmo alimentos est\u00e1 na ordem do dia. 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