
{"id":5473,"date":"2013-04-30T17:02:03","date_gmt":"2013-04-30T17:02:03","guid":{"rendered":"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/2014\/?p=5473"},"modified":"2013-04-30T17:02:03","modified_gmt":"2013-04-30T17:02:03","slug":"china-e-india-mudancas-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprosojabrasil.com.br\/comunicacao\/blog\/missoes-internacionais\/2013\/04\/30\/china-e-india-mudancas-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"China e \u00cdndia mudan\u00e7as para o futuro"},"content":{"rendered":"<p>Na semana de 15 a 25 de abril, estive com o Senador Blairo Magggi visitando a China e a \u00cdndia onde tivemos uma agenda intensa.\u00a0 Na China tivemos a oportunidade de nos reunirmos com representantes do setor privado e governamental chin\u00eas para discutirmos quais as tend\u00eancias de futuro do mercado chin\u00eas. O que nossos principais compradores de soja estariam interessados em comprar e qual seria o potencial de crescimento da demanda daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em todas as reuni\u00f5es ficou claro a import\u00e2ncia do Brasil como fornecedor de soja e a crescente demanda do pa\u00eds. No \u00faltimo ano a China importou 27 milh\u00f5es de toneladas de soja do Brasil e neste ano deve passar de 30 milh\u00f5es de toneladas. Mas tamb\u00e9m ficou claro em todas as reuni\u00f5es que a China tem no\u00e7\u00e3o de que a inefici\u00eancia de log\u00edstica do Brasil \u00e9 uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es no curto prazo para manter o pa\u00eds como seu principal fornecedor.<\/p>\n<p>O nosso objetivo nesta viagem a China era relatar a import\u00e2ncia da biotecnologia no Brasil, nosso discurso foi sempre baseado na agricultura tropical brasileira onde temos muitas pragas e doen\u00e7as, ficando sempre demonstrado a import\u00e2ncia da agilidade na libera\u00e7\u00e3o de novos eventos biotecnol\u00f3gicos produzidos no Brasil, ressaltando que o uso da biotecnologia para os produtores \u00e9 uma ferramenta importante, pois encurta tempo e reduz o uso de defensivos agr\u00edcolas o que \u00e9 muito positivo ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Abordamos com todos os agentes que estivemos reunidos na China sobre a nossa preocupa\u00e7\u00e3o sobre o atual demora de aprova\u00e7\u00e3o de novos eventos biotecnol\u00f3gicos, sempre respondendo aos questionamentos e colocando da seriedade da aprova\u00e7\u00e3o de novos eventos no Brasil, ressaltando o trabalho da CTNBio e a seguran\u00e7a adotada na aprova\u00e7\u00e3o de novos eventos.<\/p>\n<p>Outro ponto para n\u00f3s muito importante era saber do sentimento por parte dos interlocutores chineses sobre a log\u00edstica, em que poder\u00edamos ajudar e onde poder\u00edamos criar parcerias para que reduz\u00edssemos os atuais impactos de nossa precariedade de infraestrutura, buscando saber da inten\u00e7\u00e3o futura de mercado.<\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o com a COFCO, uma empresa Estatal muito importante na China e que compra muita soja do Brasil, seu executivo, Cheng Muping, nos informou que nesta safra tiveram um impacto muito grande nos carregamentos brasileiros e isto os deixa muito preocupados. Pediu-nos claramente para que fossem feitos investimentos urgentes nos portos brasileiros e completou dizendo que a partir de mar\u00e7o a fila nos portos brasileiros cresceu muito, com relatos de espera de mais de 60 dias o que causou a paralisa\u00e7\u00e3o da fabrica de esmagamento da COFCO na China.<\/p>\n<p>Cheng Muping nos disse que a demanda chinesa seguir\u00e1 crescendo e que a demanda por ra\u00e7\u00e3o esta fortemente aquecida e a China deve importar mais de 64 milh\u00f5es de toneladas de soja no pr\u00f3ximo ano. Segundo ele, a demanda por milho tamb\u00e9m crescente fortemente, e a China pode j\u00e1 no curto prazo importar 15 milh\u00f5es de toneladas de milho. Colaborando com essa informa\u00e7\u00e3o, as proje\u00e7\u00f5es do USDA apontam que em 10 anos a China superar\u00e1 o Jap\u00e3o e o M\u00e9xico e se tornar\u00e1 a maior importadora mundial de milho, demandando 20 milh\u00f5es de toneladas do cereal.<\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o com a Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Animal, o presidente, Senhor He Xintian, nos informou que eles t\u00eam grande interesse na compra de farelo de soja do Brasil, o que n\u00e3o ocorre porque o farelo tem taxas de importa\u00e7\u00e3o, mas espera que no futuro essas taxas possam cair atrav\u00e9s de acordos bilaterais. E acrescentou que na China existe um Fundo de Investimento para financiamento de projetos agroindustriais fora da China.<\/p>\n<p>Na Hopefull empresa privada com faturamento superior a 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares seu presidente Shi Kerong deixou claro o interesse sobre soja convencional, s\u00f3 falou disto apesar das nossas coloca\u00e7\u00f5es sobre soja transg\u00eanica, questionou o tempo todo sobre nossa capacidade em produzir a soja convencional, como se dava a forma da produ\u00e7\u00e3o de semente, se t\u00ednhamos capacidade de estocarem para a soja convencional etc. Questionou se o Brasil teria como j\u00e1 na pr\u00f3xima safra fornecer 10 milh\u00f5es de ton. de soja convencional a empresa dele. Ponderamos das dificuldades de segrega\u00e7\u00e3o, mas ele estava muito entusiasmado com a soja convencional e disse que o mercado na China \u00e9 crescente e ter\u00e1 muito interesse na convencional mesmo pagando mais caro por ela.<\/p>\n<p>No setor governamental, estivemos reunidos com o Vice-Ministro da Agricultura, Niu Dun, que nos disse que existe uma forte preocupa\u00e7\u00e3o da China com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e que o pa\u00eds tem grande respeito pelo Brasil como parceiro. O Vice-ministro nos disse que uma parcela importante da sociedade liderada por ONGs tem sido contra a importa\u00e7\u00e3o de produtos transg\u00eanicos e que tem feito muita propaganda para influenciar a opini\u00e3o publica.<\/p>\n<p>O Vice-Ministro compartilhou um dado que nos chamou muita aten\u00e7\u00e3o. O Governo chin\u00eas estaria disponibilizando 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para investimentos em agricultura fora da China. Podemos vislumbrar que pa\u00edses com grande potencial de expans\u00e3o agr\u00edcola e que tem grande car\u00eancia de recursos, como Mo\u00e7ambique, por exemplo, seriam beneficiados com esses investimentos, como uma pol\u00edtica de longo prazo de garantia de suprimentos de comida para os chineses.<\/p>\n<p>Entretanto, o que nestas reuni\u00f5es me deixou mais surpreso foi \u00e0 mudan\u00e7a nos discursos dos chineses. Todos colocam a preocupa\u00e7\u00e3o da China com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e \u00e0 sustentabilidade ambiental, e por isso nos foi questionado muito sobre o potencial brasileiro de crescimento da produ\u00e7\u00e3o, mas que de forma alguma eles esperam que o Brasil desmate novas \u00e1reas. E \u00e9 claro que relatamos que essa n\u00e3o \u00e9 uma inten\u00e7\u00e3o brasileira, e que temos muitas \u00e1reas abertas de pastagens onde \u00e0 agricultura pode se expandir sem desmatar.<\/p>\n<p>Outro ponto que chamou nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 quanto aos transg\u00eanicos. Ficou n\u00edtido o interesse das empresas por soja convencional. E quando questionamos qual a tend\u00eancia do mercado na rela\u00e7\u00e3o entre transg\u00eanicos e n\u00e3o transg\u00eanicos, tanto o setor privado quanto governamental nos informou que a grande massa \u00e9 menos sens\u00edvel a isto, compra o mais barato. Mas que uma parcela importante da popula\u00e7\u00e3o chinesa, melhor colocada financeiramente, estaria atenta e teria preferencia por produtos n\u00e3o transg\u00eanicos.<\/p>\n<p>E todas as empresas importadoras de produtos do Brasil que conversamos se mostraram interessadas em criar um mercado especifico de soja convencional, mesmo que tenham que pagar mais. Inclusive fomos questionados se existia a possibilidade do fornecimento no curto prazo de volumes superiores a 10 milh\u00f5es de toneladas de soja convencional. Isso \u00e9 algo que realmente chama a aten\u00e7\u00e3o e pode influenciar todo o mercado brasileiro, afinal n\u00f3s produtores vamos plantar o que o consumidor demandar.<\/p>\n<p>Portanto, ficou patente que houve uma mudan\u00e7a nas tend\u00eancias chinesas quanto \u00e0 qualidade dos produtos importados e que existe um aumento na preocupa\u00e7\u00e3o de se fornecer produtos seguros do ponto de vista alimentar. Tamb\u00e9m, que se abriu a possiblidade do Brasil exportar tanto soja transg\u00eanica quanto n\u00e3o transg\u00eanica, o que \u00e9 muito positivo para n\u00f3s produtores, j\u00e1 que temos a possibilidade de manejar as duas. E junto com todas essas possiblidades, tamb\u00e9m ficou claro que temos um dever de casa urgente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa infraestrutura.<\/p>\n<p>Confesso que foi muito interessante vermos a preocupa\u00e7\u00e3o do Governo chin\u00eas com os anseios da popula\u00e7\u00e3o e suas necessidades. E ao contrario do que se poderia imaginar, o governo comunista se mostra muito sens\u00edvel ao que o povo pensa e deseja todos os 1,4 bilh\u00f5es de pessoas. E \u00e9 claro que para n\u00f3s brasileiros \u00e9 muito positivo o Governo chin\u00eas ter elegido como meta a melhoria da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o. Isso se traduzir\u00e1 em um melhor poder aquisitivo das pessoas que poder\u00e3o comer melhor, e em \u00faltima an\u00e1lise, demandar\u00e3o mais alimentos importados do Brasil.<\/p>\n<p>O nosso maior desafio agora \u00e9 saber aproveitar a demanda crescente da China por produtos aliment\u00edcios e conseguir captar, com isso, recursos para investimentos em infraestrutura no Brasil. As diferen\u00e7as culturais s\u00e3o muitas e existe uma grande desconfian\u00e7a de ambos os lados. Mas amadurecida a rela\u00e7\u00e3o, com projetos bem elaborados e com uma sinaliza\u00e7\u00e3o positiva do governo assegurando esses investimentos, sem duvida o Brasil partilhar\u00e1 ganhos muito positivos nessa locomotiva chamada China.<\/p>\n<p>Da China seguimos para a \u00cdndia, onde fiquei surpreso com o contraste entre os dois pa\u00edses mais populosos do mundo, China extremamente organizada e a \u00cdndia o caos, fiquei impressionado como os indianos conseguem conviver entre si com tantas religi\u00f5es, dialetos e diferen\u00e7as de classe. A \u00cdndia \u00e9 uma experi\u00eancia que n\u00e3o consegue ser contada apenas vivida e recomendo a todo pol\u00edtico brasileiro conhecer.<\/p>\n<p>Na \u00edndia na embaixada brasileira tivemos uma reuni\u00e3o com a Pricewaterhouse discutindo sobre o mercado de carnes na \u00cdndia, parece estranho \u00e0 discuss\u00e3o do tema porque se pensa que a \u00edndia \u00e9 vegetariana, ela j\u00e1 foi mais, uma mudan\u00e7a do habito alimentar indiano tem ocorrido em uma popula\u00e7\u00e3o de 1,2 bilh\u00f5es de indianos que est\u00e3o melhorando financeiramente e com isso passam a comer mais, e buscam por prote\u00ednas.<\/p>\n<p>O indiano Mudit Agrarwal da Pricewaterhouse (PwC) nos fez um relato detalhado sobre a evolu\u00e7\u00e3o do mercado de carnes na \u00cdndia o que nos interessou muito principalmente pela perspectiva da \u00cdndia se tornar um grande importador de alimentos, e isto se mostrou fact\u00edvel, afinal processo semelhante observamos\u00a0 na China que em dez anos se tornou\u00a0 um grande importador de alimentos, e\u00a0 a \u00cdndia inicia o mesmo processo.<\/p>\n<p>Na \u00cdndia as redes de supermercado come\u00e7am a ser implantadas, e isto \u00e9 muito positivo uma vez que a falta de infraestrutura de comercializa\u00e7\u00e3o de carne prejudica seu consumo, a maioria da carne ainda \u00e9 comercializada em pequenos a\u00e7ougues. \u00c9 importante salientar que 32% da popula\u00e7\u00e3o indiana \u00e9 vegetariana e apenas 30% da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 vegetariana consome carne regularmente, sem falar que nenhum indiano da religi\u00e3o Hindu que \u00e9 80% da popula\u00e7\u00e3o consome carne na ter\u00e7a feira.<\/p>\n<p>O consumo de prote\u00edna tem crescido significativamente, impulsionado pelo crescimento econ\u00f4mico da popula\u00e7\u00e3o, os h\u00e1bitos alimentares dos indianos com a globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o mudando, jovens come\u00e7am a ir aos fast food, a internet tem levado os jovens a experimentar o diferente e com isso vegetarianos deixam de ser vegetarianos e consomem carne de frango, \u00e9 importante salientar que por quest\u00f5es religiosas o consumo de carne bovina e de su\u00ednos na \u00edndia \u00e9 quase nulo.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria avi\u00e1ria tem crescido muito na \u00cdndia, eles possuem um lobby muito forte, o que faz com que o mercado de aves seja fechado, com taxas muito altas para importa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 claro que isto deve mudar assim que eles n\u00e3o forem autossuficientes, esta prote\u00e7\u00e3o faz com a ind\u00fastria nacional de aves tenha uma margem alta, para termos uma ideia \u00e0 carne de frango fresca custa U$ 4,00 o Kg e a processada U$ 12,0.<\/p>\n<p>Quando olhamos para o mercado atual n\u00e3o vemos nenhum mercado para soja na \u00cdndia, afinal eles produzem anualmente algo em torno de 11 milh\u00f5es de ton. o que \u00e9 suficiente e sobra ainda para exportar, 60 % do farelo de soja produzido na \u00cdndia \u00e9 exportada, mas \u00e9 importante olharmos os n\u00fameros, a \u00e1rea agr\u00edcola da \u00cdndia n\u00e3o tem como crescer, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 mudando seu habito alimentar e com isto o consumo de soja tem crescido em 6% ao ano, como a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o cresce breve teremos ai um potencial importador.<\/p>\n<p>\u00c9 importante olharmos a \u00cdndia no futuro breve, afinal \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o que mais cresce no mundo, j\u00e1 s\u00e3o 1,22 bilh\u00f5es de habitantes, com uma renda per capita de U$ 1.200 ainda muito baixa, mas que dobrou nos \u00faltimos 5 anos, com um Produto Interno Bruto (PIB)\u00a0 que cresceu de 11% em 2012, com isso o setor avi\u00e1rio cresce 15% ao ano e de ovos cresce 7% a.a. somado a isto temos ainda o mercado de leite\u00a0 que cresce 8% ao ano, e olha que a \u00cdndia produz 13% do leite do mundo e o consome apenas 20% do rebanho leiteiro indiano recebe ra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de consumo de carne por indiano \u00e9 de 3,3 kg ao ano e de 57 ovos por ano, enquanto a recomenda\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Nutri\u00e7\u00e3o da \u00cdndia recomenda 11 kg de carne a.a. e de 180 ovos, mas vale ressaltar que em 2003 o consumo de carne era de 1,4 kg\/habitante um crescimento de 135%%, institutos projetam que nos pr\u00f3ximos 10 anos a media de consumo de carne por Indiano supere 11 kg.<\/p>\n<p>Quando se entra \u00cdndia adentro conseguimos ver o potencial econ\u00f4mico e de crescimento deste pa\u00eds, cidades inteiras sendo constru\u00eddas em um contraste entre o desenvolvimento de primeiro mundo e uma agricultura totalmente medieval, mas que como todo pa\u00eds em crescimento acelerado a urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 crescente e o governo busca equilibrar o anseio da popula\u00e7\u00e3o com suas a\u00e7\u00f5es politicas.<\/p>\n<p>Como podemos ver existe um mercado em constru\u00e7\u00e3o, e este mercado tamb\u00e9m est\u00e1 olhando para o Brasil, j\u00e1 existindo uma press\u00e3o interna para a abertura do mercado de alimentos, se as previs\u00f5es se concretizarem em breve teremos mais um grande importador potencial para nossa soja e nosso milho, e quem sabe tamb\u00e9m para nossa carne afinal frango nada mais \u00e9 que soja e milho transformados, a n\u00f3s brasileiros fica o dever de casa a ser feito para aproveitar e atender mais este mercado.<\/p>\n<p>Por Glauber Silveira<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana de 15 a 25 de abril, estive com o Senador Blairo Magggi visitando a China e a \u00cdndia onde tivemos uma agenda intensa.\u00a0 Na China tivemos a oportunidade de nos reunirmos com representantes do setor privado e governamental chin\u00eas para discutirmos quais as tend\u00eancias de futuro do mercado chin\u00eas. 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