{"id":680,"date":"2014-06-03T14:58:35","date_gmt":"2014-06-03T14:58:35","guid":{"rendered":"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/2014\/?p=680"},"modified":"2014-06-03T14:58:35","modified_gmt":"2014-06-03T14:58:35","slug":"o-novo-lider-da-aprosoja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprosojabrasil.com.br\/comunicacao\/blog\/destaques\/2014\/06\/03\/o-novo-lider-da-aprosoja\/","title":{"rendered":"O novo l\u00edder da Aprosoja"},"content":{"rendered":"<p>A paix\u00e3o pelo campo levou o produtor Almir Dalpasquale a trabalhar al\u00e9m dos limites das suas fazendas, no Mato Grosso do Sul. Engajado nas causas do setor e incentivado pelos companheiros, ele \u00e9 l\u00edder em seu Estado e agora chegou \u00e0 presid\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o Brasileirados Produtores de Soja (Aprosoja Brasil). Na entrevista a seguir, que foi feita logo ap\u00f3s a posse, no m\u00eas passado, ele conta um pouco da sua hist\u00f3ria e fala sobre os desafios que aguardam a nova diretoria eleita para o bi\u00eanio 2014\/2016.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/2014\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/LEO6033.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-607 size-medium\" src=\"http:\/\/aprosojabrasil.com.br\/2014\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/LEO6033-300x199.jpg\" alt=\"_LEO6033\" \/><\/a><br \/>\n<strong>A Granja \u2013 Como e quando iniciou a sua liga\u00e7\u00e3o com o campo?\u00a0<\/strong><br \/>\nAlmir Dalpasquale \u2013 Eu nascino Paran\u00e1, em Dois Vizinhos, no sul do Estado. A minha fam\u00edlia trabalhava na ind\u00fastria madeireira e, no final dos anos 1970, meu pai, Waldemar Brasil Dalpasquale, resolveu seguir seu sonho de ter um peda\u00e7o de terra para trabalhar e foi para o sul do Mato Grosso do Sul. Naquela \u00e9poca, iniciava a abertura do Centro-Oeste, e a minha fam\u00edlia participou dessa hist\u00f3ria. J\u00e1 no in\u00edcio dos anos 80, minha m\u00e3e, C\u00e9lia, eu e meus quatro irm\u00e3os seguimos meu pai. Depois da chegada ao sul do Estado, fomos para o centro norte. O investimento inicial foi na pecu\u00e1ria e, no final dos anos 80, iniciamos na agricultura, que hoje \u00e9 o nosso principal neg\u00f3cio. Come\u00e7amos do nada e fomos aprendendo. Sofremos muito no in\u00edcio. N\u00f3s mesmos plant\u00e1vamos, n\u00f3s oper\u00e1vamos as m\u00e1quinas, as coisas eram bem diferentes. Mas foi \u00f3timo todo esse aprendizado, porque sei o quanto as coisas custam, como o clima pode ajudar ou atrapalhar, conhe\u00e7o o cheiro da terra e cada planta que cultivo. Tamb\u00e9m j\u00e1 enfrentei diferentes momentos econ\u00f4micos do Pa\u00eds. O d\u00f3lar a R$ 4, a infla\u00e7\u00e3o de 100% ao m\u00eas, a agricultura no fundo do po\u00e7o. E a\u00ed voc\u00ea olha e pensa que est\u00e1 perdendo tudo e percebe que precisa lutar. Mas s\u00e3o os desafios da vida que nos ajudam no presente e nas decis\u00f5es para o futuro.<br \/>\n<strong>A Granja \u2013 Qual \u00e9 a estruturados seus neg\u00f3cios atualmente?<\/strong><br \/>\nDalpasquale &#8211; Eu sempre me dediquei \u00e0 agropecu\u00e1ria. Sou um fan\u00e1tico pela agricultura, tenho uma paix\u00e3o enorme pelo trabalho no campo. A minha primeira fazenda foi em S\u00e3o Gabriel do Oeste. Era uma fazenda da fam\u00edlia e hoje \u00e9 minha. Meu irm\u00e3o mais velho, Claudimor, \u00e9 meu s\u00f3cio e me ajuda muito com o trabalho, al\u00e9m da minha esposa, Marilene, e do meu filho, Matheus. Hoje tenho quatro propriedades no centro norte do Estado. Produzo milho, soja, sorgo e feij\u00e3o em duas safras, numa \u00e1rea de cerca de 8 mil hectares. Tenho uma estrutura de armazenagem pr\u00f3pria, com equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m tenho cria\u00e7\u00e3o de gado em duas fazendas, num rebanho entre 2 mil e 3 mil cabe\u00e7as. Minha pecu\u00e1ria \u00e9 altamente tecnificada, com uma lota\u00e7\u00e3o entre 2,5 e 3 cabe\u00e7as por hectare. Fa\u00e7o cria, recria e engorda e, ainda em 2014, espero iniciar um confinamento. Nas propriedades onde temos gado, fa\u00e7o integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria em toda a \u00e1rea.<br \/>\n<strong>A Granja \u2013 Como iniciou a sua rela\u00e7\u00e3o com as entidades representativas do setor?<\/strong><br \/>\nDalpasquale \u2013 No \u201ccaminhona\u00e7o\u201drealizado em Bras\u00edlia no in\u00edcio dos anos 2000 tivemos um embate com a Pol\u00edcia Federal e eu fui defender um amigo que na \u00e9poca era presidente do Sindicato Rural de S\u00e3o Gabriel do Oeste. A partir desse epis\u00f3dio, passei a ter um contato maior com as autoridades, e aquele ato criou um clima de lideran\u00e7a no meio rural. Os amigos me incentivavam e os caminhos aos poucos foram abertos. Na \u00e9poca, eu tamb\u00e9m passei a ter uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com o Eduardo Riedel, que hoje \u00e9 presidenteda Famasul (Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grossodo Sul). Ele me chamava para conversar, para participar das reuni\u00f5es, at\u00e9 que fui convidado para fazer parte da diretoria da Federa\u00e7\u00e3o, onde hoje sou diretor-tesoureiro. Sa\u00ed da viv\u00eancia apenas no meu meio e passei a conhecer realidades diferentes. Passei a andar pelo Estado para conversar com outros produtores e conhecer os problemas. E, como de uma semente nasce uma lavoura, em 2007 ajudei a fundar a Aprosoja do Mato Grosso do Sul, da qual fui presidente por duas gest\u00f5es, at\u00e9 o final do ano passado. H\u00e1 tr\u00eas anos tamb\u00e9m sou diretor executivo do Fundo de Desenvolvimento das Culturas do Milho e da Soja de Mato Grosso do Sul (Fundems).<br \/>\n<strong>A Granja \u2013 E como surgiu a possibilidade de presidir a Aprosoja Brasil?<\/strong><br \/>\nDalpasquale &#8211; Quando o Glauber (Glauber Silveira, presidente da Aprosoja Brasil por quatro anos) foi reeleito na gest\u00e3o passada, fui chamado para disputar a presid\u00eancia, mas considerei que n\u00e3o estava preparado. De qualquer forma, me coloquei \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para apoiar a presid\u00eancia e ressaltei que gostar\u00edamos de ter como l\u00edder algum representante do Mato Grosso do Sul, j\u00e1 que o atual presidente n\u00e3o poderia ser reeleito. Trabalhei para buscar um nome no meu Estado, mas muitos pediram que eu considerasse a possibilidadede ser o presidente. Assim, acabei aceitando o desafio.<br \/>\n<strong>A Granja \u2013 E o que muda na sua rotina a partir de agora?<\/strong><br \/>\nDalpasquale \u2013 Estou muito bem assessorado pela equipe da Aprosoja Brasil e, dentro da necessida de pol\u00edtica, estarei em Bras\u00edlia ou em outros Estados para trabalhar no que for preciso. Mas vou dividir o meu tempo, porque n\u00e3o posso me distanciar do meu Estado, onde tenho um compromisso de trabalho com a Famasul, e tamb\u00e9m n\u00e3o tenho como ficar longe das minhas propriedades.<br \/>\n<strong>A Granja &#8211; Quais s\u00e3o os seus planos e objetivos iniciais \u00e0 frente da Aprosoja?<\/strong><br \/>\nDalpasquale \u2013 Acredito que o restante de 2014 ser\u00e1 tranquilo. Teremos a Copa do Mundo e as elei\u00e7\u00f5es estaduais e federal. Cada Estado vai ser dedicar muito a isso, com demandas maiores na \u00e1rea pol\u00edtica. A n\u00e3o ser, claro, que aconte\u00e7a algo emergencial. Um dos focos iniciais do nosso trabalho \u00e9 tentar promover uma maturidade maior aos Estados onde a Aprosoja est\u00e1 presente. O Glauber ajudou a criar v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es pelo Pa\u00eds e a mim cabe dar uma certid\u00e3o de nascimento a elas para que caminhem com as pr\u00f3prias pernas, tanto no sentido administrativo quanto financeiro. Queremos dar ferramentas de trabalho \u00e0s associa\u00e7\u00f5es. Parece uma tarefa f\u00e1cil, mas \u00e9 uma coisa bastante complicada. \u00c9 necess\u00e1rio ter um or\u00e7amento anual, um planejamento detalhado, assim como foi feito em Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, onde as associa\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o consolidadas.<br \/>\n<strong>A Granja &#8211; Hoje a Aprosoja est\u00e1 em 12 Estados do Pa\u00eds. Existe a inten\u00e7\u00e3o de ampliar ainda mais essa atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nDalpasquale &#8211; O Glauber fez um trabalho fant\u00e1stico andando o Pa\u00eds todo, e acho que ainda h\u00e1 bastante a ser feito com essas 12 associa\u00e7\u00f5es. Claro que, se algum outro estado manifestar \u00e0 vontade, daremos as bases para ajudar. Atualmente, a nossa \u00eanfase est\u00e1 em buscar solu\u00e7\u00f5es para os problemas locais, fornecendo amparo legal para as associa\u00e7\u00f5es para que as mesmas consigam dar apoio aos seus produtores nas diferentes quest\u00f5es. Hoje, os maiores produtores de gr\u00e3os do Pa\u00eds est\u00e3o ligados \u00e0 Aprosoja, mas \u00e9 preciso dizer que estamos aqui para representar todos os perfis de produtores, desde os pequenos at\u00e9 os grandes.<br \/>\n<strong>A Granja \u2013 Como o senhor resume a import\u00e2ncia da Aprosoja para o produtor brasileiro nesses \u00faltimos anos?<\/strong><br \/>\nDalpasquale \u2013 A Aprosoja participou de muitas conquistas importantes para o setor. Uma das mais recentes foi a ajuda na formata\u00e7\u00e3o donovo C\u00f3digo Florestal com entidades como a CNA (Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil) e a OCB (Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras). A Aprosoja deu suporte \u00e0 Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria para as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o. A associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vem participando ativamente, junto com os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, da abertura de novos mercados para nossos produtos agropecu\u00e1rios. Estamos sempre mostrando nossa bandeira l\u00e1 fora.<br \/>\n<strong>A Granja \u2013 Al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0s regionais, quais s\u00e3o os desafios da Aprosoja pensando no produtor brasileiro, de uma forma geral?<\/strong><br \/>\nDalpasquale \u2013 Nesse momento temos alguns assuntos importantes que precisam ser tratados, como o direito de propriedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o ind\u00edgena e em regi\u00f5es de fronteira. Tamb\u00e9m temos desafios relacionados aos agrot\u00f3xicos, no que diz respeito aos gen\u00e9ricos e \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de novos produtos. \u00c0s vezes, a impress\u00e3o que temos \u00e9 que os temas ligados ao produtor rural t\u00eam um peso diferente. Mas somos produtores de alimentos e n\u00e3o vil\u00f5es na sociedade. Outra quest\u00e3o \u00e9 continuar trabalhando para descongestionar e tentar amenizar essa agonia que encontramos na nossa log\u00edstica. Praticamente dobramos a produ\u00e7\u00e3o com crescimento p\u00edfio de \u00e1rea e, ao mesmo tempo, nossas estradas e nossos portos continuam iguais. Isso tem custado muito caro para o produtor e para a sociedade brasileira, de forma geral. S\u00e3o coisas que precisamos tirar dos protocolos e das reuni\u00f5es para termos solu\u00e7\u00f5es de verdade.<br \/>\n<strong>A Granja \u2013 Em pouco tempo iniciar\u00e1 o cultivo de uma nova safra no Pa\u00eds. Qual \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do Plano Agr\u00edcola e Pecu\u00e1rio lan\u00e7ado no m\u00eas passado pelo Governo para amparar financeiramente a safra 2014\/2015?<\/strong><br \/>\nDalpasquale &#8211; Acho que o Plano Safra melhora a cada ano, de uma forma geral. Antigamente n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro para plantar, e agora temos e conseguimos a verba muito antes da safra. Temos dinheiro para investimento, armazenagem, escoamentoe seguro agr\u00edcola. Hoje, o nosso maior problema est\u00e1 do lado de fora da porteira, e \u00e9 a log\u00edstica ineficiente. N\u00e3o adianta termos caminh\u00f5es modernos, mais econ\u00f4micos, com uma alta capacidade de carga, se eles precisam descarregar em portos com estruturas que t\u00eam entre 20 e 30 anos. Hoje, o caminh\u00e3o que saiu da regi\u00e3o produtora para voltar em 24 horas fica uma ou duas semanas parado para descarregar num porto. A\u00ed, o custo bate na porteira, porque o produtor ter\u00e1 que contratar novos caminh\u00f5es e pagar mais por isso. S\u00e3o desafios importantes, mas acho que o Governo vem olhando para eles tamb\u00e9m. Esse \u00e9 um tema que merece a discuss\u00e3o e a nossa reivindica\u00e7\u00e3o para que evolua. Quanto ao Plano Safra, mesmo com a alta de juros que houve em algumas linhas, acredito que est\u00e1 melhorando a cada ano, ainda mais se compararmos ao passado da nossa agricultura.<br \/>\nFonte: \u00a0A Granja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paix\u00e3o pelo campo levou o produtor Almir Dalpasquale a trabalhar al\u00e9m dos limites das suas fazendas, no Mato Grosso do Sul. Engajado nas causas do setor e incentivado pelos companheiros, ele \u00e9 l\u00edder em seu Estado e agora chegou \u00e0 presid\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o Brasileirados Produtores de Soja (Aprosoja Brasil). 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