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Consumo de produtos fitossanitários no Brasil

aprosoja by aprosoja
27 de setembro de 2016
in Artigos
1

Por José Otavio Menten, Professor Associado da USP/ESALQ.
Frequentemente tem sido divulgado que o Brasil é o maior consumidor de produtos fitossanitários ou agrotóxicos/defensivos agrícolas do mundo. É necessário, como sempre, contextualizar a situação e usar dados reais e confiáveis, nem sempre disponíveis. Detalhe fundamental: os produtos fitossanitários somente devem ser usados quando necessários, dentro de programas de manejo integrado de pragas agrícolas (plantas daninhas, fungos, nematóides, insetos, ácaros etc.).
A agricultura, no Brasil, é praticada, em sua maioria, em ambientes tropicais, onde a ocorrência e severidade das pragas é maior que em regiões temperadas, devido ao inverno rigoroso, que reduz, naturalmente, as pragas e seus danos. O Brasil é o único país do mundo que adotou um termo novo para designar as substâncias utilizadas na proteção de plantas: agrotóxico. O termo, em si, já cria, na sociedade, uma certa aversão, além do razoável, a estes produtos. Nos outros países são chamados de agroquímicos, protetores de plantas, pesticidas, praguicidas etc. No Mercosul tenta-se padronizar o termo produto fitossanitário. Finalmente, foi aprovado, recentemente, no Congresso Nacional a eliminação do termo agrotóxico da legislação brasileira.
No mundo todo se utiliza produtos fitossanitários. De acordo com dados do SINDIVEG, do Brasil, e da Consultoria Internacional Phillips McDougall, em 2015 as vendas destes produtos no Brasil corresponderam a 18,5% em relação ao total mundial. A América Latina consumiu 28% dos defensivos. O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, com quase 300 milhões de hectares ocupados com culturas anuais, semi-perenes e perenes, florestas plantadas e pastagens. Todas, desde um canteiro de salsinha, até amplas áreas com soja, milho e cana, estão sujeitas a diversas pragas, que exigem manejo e, frequentemente, a aplicação de defensivos.
Os produtos fitossanitários são adquiridos pelos agricultores como produtos comerciais ou formulados. Os recipientes contem os produtos técnicos (ingredientes ativos, biologicamente efetivos, e eventuais impurezas) e aditivos, como solventes, espalhantes, adesivos etc. normalmente chamados de “inertes”. Em média, 44,5% do produto comercial é ingrediente ativo. Assim, se a quantidade de produtos comerciais de defensivos utilizados no Brasil em 2015 foi de 887,6 mil toneladas, a quantidade de ingredientes ativos (i.a.) foi de 395,6 mil toneladas. Há várias maneiras de se expressar o consumo dos produtos fitossanitários. Simplesmente o total consumido, ou mesmo o total por hectare cultivado não é a mais correta. Basta lembrar que, enquanto o crescimento do uso de defensivos no Brasil foi de 14% nos últimos cinco anos, a produção de grãos aumentou 40% no mesmo período.
Ou seja, menor quantidade utilizada por tonelada de grãos. Ou ainda, estamos fazendo melhor a cada ano. Considerando apenas a área de grãos, café, cana, frutas e hortaliças, que consomem 96,8% dos defensivos, o consumo foi de 4,99 kg i.a./ha. Entretanto, considerando as áreas com florestas plantadas e pastagens cultivadas, o consumo foi de 2,3 kg de i.a./ha. Os dados disponíveis de consumo de produtos fitossanitários no mundo mostram valores bastante variáveis, em kg de i. a./ha: Holanda, 20,8; Japão, 17,5; Bélgica, 12,0; Franca, 6,0; Inglaterra, 5,8.
Considerando apenas a produção de grãos no Brasil, com produtividade média de 3.500 kg/ha, o consumo foi de 1,4 g de i.a./kg de grão. Como os produtos fitossanitários sofrem degradação após serem aplicados e devem obedecer ao período de carência (tempo entre última aplicação e colheita), a quantidade de resíduos nos alimentos é, em média, muito baixa. Isto tem sido confirmado nas análises de resíduos (LMR: Limite Máximo de Resíduo) de programas públicos e privados de monitoramento da qualidade dos alimentos realizados no Brasil.
 
José Otavio Menten é Professor Associado da USP/ESALQ, Presidente do CCAS – Conselho Científico para Agricultura Sustentável, Coordenador da CoC-EA (Comissão Coordenadora do Curso de Engenharia Agronômica da USP/ESALQ), Membro do Conselho Superior do Agronegócio (COSAG/FIESP), representante da USP no CESESP (Comissão de Educação Sanitária em Defesa Agropecuária no Estado de São Paulo – MAPA/SFA-SP).
Fonte:  Conselho Científico para Agricultura Sustentável – CCAS

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Comments 1

  1. Esmeralda says:
    6 anos ago

    Parabéns pelo artigo,adorei!

    Responder

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